Eu vejo em ti aquela mulher que traz a mesma expressão desde o amanhecer. A imagem do teu rosto, da ambigüidade daquilo que tu nunca realmente sentes, não muda com o passar do tempo. Não há cansaço na tua imagem, mesmo que tenha estado assim, contraída, o dia inteiro. O vermelho-verde-azul da tua pele faz teu movimento estático, como se ainda pulsasse vida, numa imagem que nunca de fato vivera. O claro e o escuro passeiam pelo teu rosto, faixas horizontais de luzes e de escuridão que parecem rastrear cada célula dessa mulher-imagem expressiva que não desaparece da minha frente. Eu sinto que até terias algo a dizer, algo alegre ou triste, mas a palavra ficou por ser dita, presa nesse teu defeito de transmissão. Teu sorriso triste, teu semblante (in)feliz tem a duração de um dia, um dia inteiro na vida de moradores que te ignoram, que só queriam de volta o real movimento da mulher que é você e das tantas outras mulheres que a máquina oferece todos os dias. Mas eu busco você, ali parada – eu me interesso por você. Teu lamento sonoro, eletrônico, parece ter fim quando a escuridão te acaricia e cobre tua boca, fazendo você se calar – mas a dor ainda reside no teu silêncio. Eu não sei bem o que tu sentes, nem sei o que sentir contigo diante de mim, assim, com algo por fazer mas que nunca é feito, algo por dizer, que nunca é dito, com uma expressão por se definir. Esse teu não-ser, triste ou feliz, o teu mistério – tu só podias ser mulher nesse teu existir congelado e quente. E é o teu defeito que me encanta. Você não se deixou transmitir.
Thaïs Dahas
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terça-feira, 18 de março de 2008
quinta-feira, 13 de março de 2008
Cinecaolho :: segunda, 17 de março de 2008
O Cinecaolho da próxima segunda segue exibindo curtas produzidos por aqui. Serão exibidos 4 curtas:

EU POSSO VER O QUE VOCÊ SENTE, de Hugo Pierot | digital | 8 min | 2008

SIMONE, de Ítalo Rodrigues | digital | 3'28" | 2007 | Simone atravessa a cidade à noite. Ítalo a acompanha e não lhe fala. Simone se faz íntima num monólogo interrompido por esquinas e dúvidas.

UM FILME DE CINEMA D'OS ICONOCLASTAS, de Ítalo Rodrigues | digital | 1'58" | 2007 | Um boneco tenta dar lições a um jovem poeta enquanto um iconoclasta tenta-lhe abrir os olhos lhe indicando um livro para leitura.

ZENNER SARTE & OS ICONOCLASTAS, de Ítalo Rodrigues | digital | 10'44" | 2007 | Enquanto comem, os iconoclastas reunidos discutem problemas do terceiro mundo ao som de um telejornal: a mulher que colecionava lixo, a menina que matou os pais etc. Zenner Sarte dá seu testemunho e conta sua experiência com os AA’s.

EU POSSO VER O QUE VOCÊ SENTE, de Hugo Pierot | digital | 8 min | 2008
SIMONE, de Ítalo Rodrigues | digital | 3'28" | 2007 | Simone atravessa a cidade à noite. Ítalo a acompanha e não lhe fala. Simone se faz íntima num monólogo interrompido por esquinas e dúvidas.
UM FILME DE CINEMA D'OS ICONOCLASTAS, de Ítalo Rodrigues | digital | 1'58" | 2007 | Um boneco tenta dar lições a um jovem poeta enquanto um iconoclasta tenta-lhe abrir os olhos lhe indicando um livro para leitura.
ZENNER SARTE & OS ICONOCLASTAS, de Ítalo Rodrigues | digital | 10'44" | 2007 | Enquanto comem, os iconoclastas reunidos discutem problemas do terceiro mundo ao som de um telejornal: a mulher que colecionava lixo, a menina que matou os pais etc. Zenner Sarte dá seu testemunho e conta sua experiência com os AA’s.
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